O Carnaval promovido pelo Governo do Maranhão, sob a liderança do governador Carlos Brandão, acabou provocando um efeito colateral inesperado — e bastante comentado nos bastidores da política estadual. A forte centralização dos grandes shows e atrações na capital e em poucos polos regionais teria esvaziado a programação carnavalesca de diversos municípios do interior, inclusive daqueles administrados por prefeitos aliados ao próprio governo.
Com uma estrutura robusta, artistas de renome nacional e ampla divulgação institucional, o Carnaval do governador atraiu multidões e concentrou o fluxo de foliões em pontos estratégicos definidos pelo Palácio dos Leões. Enquanto isso, cidades do interior, que tradicionalmente realizavam festas populares com apoio do Estado, devem enfrentar queda no público, dificuldades para manter atrações.
Prefeitos aliados, em conversas reservadas, demonstraram insatisfação com o modelo adotado. A avaliação é de que o Governo do Estado poderia ter optado por uma divisão mais equilibrada dos investimentos, fortalecendo os carnavais municipais e valorizando as tradições locais. Para muitos gestores, o Carnaval é mais que festa: é geração de renda, fortalecimento da cultura e aquecimento da economia local.
Com menos atrações e público reduzido, comerciantes, ambulantes e pequenos empreendedores do interior sentirão diretamente o impacto. Hotéis vazios, vendas abaixo do esperado e ruas menos movimentadas contrastaram com a superlotação dos grandes polos patrocinados pelo governo estadual.
A crítica que ganha força é que, ao priorizar um Carnaval grandioso e concentrado, o governador Brandão acabou enfraquecendo politicamente seus próprios aliados no interior, que ficaram sem respaldo para realizar eventos à altura da expectativa da população.

