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Ex-ministro de Lula critica tornar facções brasileiras terroristas

O ex-ministro de Estado da Justiça e Segurança Pública da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT)Ricardo Lewandowski, criticou a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como grupos terroristas internacionais nesta segunda-feira (1º).

A declaração de Ricardo Lewandowski ocorreu no XIV Fórum de Lisboa, em Portugal, organizado pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP). A instituição é ligada ao ministro decano do STF, Gilmar Mendes.

Lewandowski alertou para consequências econômicas para o país com a medida tomada contra o crime organizado.

— Com relação à questão dessa última decisão de nomear as organizações criminosas de grupos terroristas, eu fui flagrantemente contra, porque isso pode fragilizar nossa soberania. E isso pode dificultar os investimentos estrangeiros — afirmou.

O ex-ministro indicou ainda que as empresas tomem atitudes contra a decisão.

— Na medida em que um país é classificado como um país que abriga organizações terroristas, há uma série de restrições. As empresas precisam, tanto estrangeiras como nacionais, criar mecanismos de compliance administrativos e contábeis para poder exatamente se defender desse fenômeno — disse.

Ricardo Lewandowski atuou no terceiro mandato de Lula entre fevereiro de 2024 e janeiro de 2026. Antes de assumir o Ministério, ele atuou como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), tendo sido nomeado originalmente pelo próprio presidente Lula durante seu primeiro mandato, em 2006.

DECISÃO DE TORNAR CV E PCC GRUPOS TERRORISTAS
O governo dos Estados Unidos anunciou na última quinta-feira (28), a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras. Com a decisão, as facções brasileiras passam a integrar o mesmo grupo de organizações como Hamas, Al Qaeda, Hezbollah e Estado Islâmico.

Segundo o Departamento de Estado, a classificação é feita pelo secretário de Estado com base na Lei de Imigração e Nacionalidade. O Escritório de Contraterrorismo acompanha atividades de grupos suspeitos e avalia não apenas ataques já realizados, mas também planos e capacidade de promover ações futuras.

Entre as medidas previstas após a inclusão na lista estão o bloqueio de recursos financeiros, restrições econômicas e maior monitoramento internacional. Instituições financeiras dos EUA também deverão informar ao governo caso tenham fundos ligados às organizações classificadas. De acordo com o secretário de Estado, Marco Rubio, a nova classificação entra em vigor no dia 5 de junho.

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