Nesse processo eleitoral existe um fato fantástico: a disputa eleitoral entre duas mulheres. Por mais que esse tema não tenha sido até agora pauta de reflexões, é algo a ser observado.
Esse cenário de exposição de duas mulheres na disputa presidencial devia abrir debates sobre esse tema, mas não. As candidatas preferem a retórica convencional da macroeconomia (somente a candidata Luciana Genro vem apresentando alusão a essa temática).
O fato de não existir um debate aberto sobre a questão por parte das presidenciáveis, Dilma e Marina, é indicativo de que a sociedade brasileira silencia diante de uma exclusão perpetuada a séculos e materializada em cada mulher privada de seus direitos por pessoas que declaram amor.
Historicamente é possível perceber que as mulheres foram vistas como meras reprodutoras, empregadas domésticas, objetos sexuais, privadas da educação e no caso das mulheres escravas, excluídas;submetidas a preconceitos variados pelo terror da escravidão e as imposições decorrentes dessa situação degradante
Nesse palco de secundarização se tornou comum o adágio popular que “por trás de um grande homem, sempre existe uma grande mulher”. Isso dito, repetido, naturalizado não causa estranhamento a “ninguém”, mas deveria pelo seu conteúdo desmerecedor da figura humana da mulher.
Mais uma vez uma mulher terá oportunidade de governar o Brasil e que não deixe escapar a oportunidade de pautar a condição humana das mulheres.